Filme A Forma da Água – Oscar de Melhor Filme 2018

julho 18, 2018 Filmes12

O filme A Forma da Água, ganhador do Oscar 2018 e dois Globos de Ouro (por direção e música), é a história de uma copeira e um ser marginalizado que vive uma vida triste. O filme transmuta-se a um thriller psicossexual assustador filtrado através da lente romântica e poética.

Ambientado em Baltimore, início dos anos 60. Elisa Esposito é uma mulher solitária e trabalha como copeira em um laboratório secreto do governo. Seus únicos amigos são o vizinho Giles, um artista homossexual e sua colega Zelda.

Um dia, um humanóide anfíbio capturado na América do Sul pelo perverso coronel Richard Strickland é levado ao laboratório. Elisa logo se apaixona por ele, num ambiente conturbado da Guerra Fria entre americanos e soviéticos.

Michael Shannon interpreta o melhor vilão de sua carreira, o coronel Strickland é o filho disfuncional do sonho americano dos anos 60, um violento xenófobo e sexista que se esconde sob a pátina burguesa e a respeitável classe média. Embora bem desenhado, no entanto, ainda é um vilão e sua presença deve ser medida. Em vez disso, ocupa muito espaço, mais do que o humanoide anfíbio, catalisando excessivamente a atenção do público.

O filme A Forma da Água traduz o amor para a sétima arte que varia entre gêneros e entrelaça toda uma série de citações metalinguísticas e referências explícitas.

Com roteiro de Vanessa Taylor, A Forma é uma narrativa simples, livre das várias camadas de significado oculto que podemos encontrar em O Labirinto, permitindo ao expectador apreciar não o que a história mantém de oculto, mas a maneira delicada como desenrola o romance improvável de Elisa (Sally Hawkins), uma moça muda, a uma criatura humanoide, um híbrido entre homem e anfíbio (Doug Jones).

A Forma da Água pode ser um conto de fadas com nuances de horror, uma história de espionagem no tempo da guerra fria, ou mesmo uma homenagem aos musicais da década de 1930 com um certo erotismo refinado.

A história do amor com a criatura é, portanto, ditada apenas pelos gestos e notas delicadas no piano de Alexandre Desplat, enquanto o olhar diretivo examina, investiga, arrasta-se e capta todas as nuances de imagens e música.

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